Folclore Avaiano

 

FOLCLORE AVAIANO

Era dia de clássico no Adolfo Konder. Encostado no muro, o goleiro Rubão conversava com um amigo. Olhos atentos no movimento do público, ele comentou : “Poxa, quanto mais gente entra, mais cheio fica”.


Foi uma das primeiras viagens do Avaí no campeonato brasileiro de 1974. O time chegou no aeroporto e foi de ônibus até o hotel do centro da cidade. Na porta, alguns curiosos.

O ônibus estacionou e os jogadores foram desembarcando. Desceram Zenon, Veneza e Orivaldo. De repente, aparece Balduíno. Um dos curiosos comentou com o amigo do lado : “Time bom, trouxe até mascote”.

Os outros craques avaianos foram descendo do ônibus. Almir, Toninho, João Carlos e Lourival. São cumprimentados e dão autógrafos para as crianças. Mas todos prestaram atenção quando apareceu na porta do ônibus, de óculos escuros e com um bonezinho, o goleiro Rubão. Um largo sorriso e uma alegria contagiante. O curioso olhou e voltou a comentar com o amigo : “O time é bom mesmo, Além do mascote, trouxe também o cozinheiro”.


Foi num clássico em 1973, na disputa de uma vaga para o campeonato brasileiro.

O Figueirense vencia o jogo por 2 x 1 , quando a bola foi lançada para Nestor, atacante alvinegro. Ele invadiu a área, driblou o goleiro e ia marcar o gol, quando de repente o massagista Afonso saiu desesperado e correu para a meta. Fez a tradicional pose de goleiro, abrindo os braços e esperou o chute. Surpreso, Neilor tocou fraco na bola, mas Afonso falhou! Era o terceiro gol e o massagista avaiano ainda acabou expulso.

No vestiário, a tristeza dupla : pela derrota e pelo frango.


João Salum , presidente do Avaí, contrata o técnico Jorge Ferreira, que havia sido campeão pelo Figueirense. “Senhor Presidente:  juro solenemente que, se eu não der o título ao Avaí, rasgo meu diploma”, prometeu. E Salum emendou : “Pelo dinheiro que estou te pagando, se você não der o campeonato, quem vai rasgar o teu diploma sou eu”.


Rubão tinha o hábito de levar tudo dos aviões. Copos, talheres, sabonetes, água de colônia, tudo.

Certo dia, viu debaixo de uma poltrona um pacote e pensou que era um cobertor. Era um bote salva-vidas, que a um puxão mais forte inflou. Rubão assustou-se quando o bote foi inchando. Enfiou-lhe um alfinete, espalhando uma camada grossa de pó branco, que o cobriu por inteiro como se fosse um boneco de neve.

De pé no corredor, depois da bronca de uma aeromoça, berrava : “o primeiro que rir vai entrar no pau”.


Fio, folclórico jogador carioca do Flamengo, foi convidado a jogar no Avaí. Ao primeiro amigo que encontrou confidenciou : “sabia que um dia eu chegaria lá”. “Não entendi”, respondeu o amigo.

“É que eu vou jogar no exterior. Já estou comprando até uma prancha. Afinal, não é qualquer um que vai para o Avaí”. Até descobrir que o Avaí nada tinha a ver com o Havaí, a decepção foi grande.


João Caetano jogava mal e não estava bem fisicamente, mesmo assim o Avaí vencia o jogo. O técnico Saul Oliveira, preocupado com a reação do adversário, mandou o massagista saber como ele estava. “Caetano, como é que está?” “Um a zero para nós”, respondeu o folclórico Caeta.

O Avaí se preparava para treinar. Saul Oliveira, o técnico, é avisado que tem um negrão alto, forte e que joga muito, querendo uma chance. Era Moenda, que mais tarde fez história no futebol catarinense. Saul chama-o e pergunta : “Jogas de quê?”

“De tênis, kichute, descalço, menos de chuteira”.


Na capital do estado, dia 10 de agosto de 1979, torcedores do Avaí e do Figueirense se desentenderam e fazem sumir, numa manhã de domingo, uma das traves do estádio Adolfo Konder, em dia de clássico. Às pressas, uma outra foi providenciada e o jogo aconteceu sob muita pressão.


O Avaí se preparava para excursionar pelas Américas e Fernando Linhares foi até a Rua Bocaiúva para registrar a saída da delegação, entrevistando os atletas avaianos que estavam de saída para o aeroporto. Um dos entrevistados foi Maneca, zagueiro de fibra, grande lutador na defesa avaiana.

“E aí Maneca, como é que você está vendo essa excursão do Avaí? É uma boa?”

“Ouvintes da rádio Guarujá, boa tarde. Bem; Fernando, eu acho uma boa, vamos ganhar muita experiência e bons bichos”.

O Avaí viajou e, no retorno do pessoal durante o carnaval, obviamente que a maioria embevecida com o sucesso da excursão, Maneca foi novamente entrevistado:

“E aí Maneca, gostou da excursão?”

“Ouvintes da rádio… ouvintes da rádio… caro repórter…caro repórter…, como é mesmo o nome?”


O Avaí tinha um ponteiro de sobrenome Duarte. Não era um craque, mas estava sempre em busca do gol, tentando ajudar seus companheiros. Duarte porém tinha um apelido : CUDUM.

Os locutores tinham todo o cuidado para não serem traídos, dando sempre nas escalações e ao longo das transmissões, o sobrenome Duarte.

Num belo dia não teve jeito : lançaram uma bola em profundidade para o centroavante avaiano, que procurou abrir na ponta para o Duarte. O locutor lá de cima da cabine soltou a pérola:

“E lá vai o Avaí, senhoras e senhores. E atenção, a bola foi lançada em profundidade para a ponta direita, mas bateu no CUDUM e foi para a linha de fundo”.


Uma das coisas que chamava atenção no estádio Adolfo Konder eram os seus pés de eucalipto, localizados atrás dos gols.

Um desses pés ajudou José Amorim a fazer um gol dos mais estranhos. Num escanteio cobrado da ponta direita, a bola foi viajando para a meta, quando de repente, caiu verticalmente dentro da área, em ângulo reto. Amorim só teve o trabalho de empurrar a pelota para o fundo das redes, marcando o gol contra o Bocaiúva. O detalhe é que a bola quando foi alçada na área, bateu num galho do eucalipto e sobrou fácil para o atacante avaiano completar a jogada.


Para rivalizar com o Avaí, que tinha Adolfinho, um dos melhores goleiros do Brasil, o Figueirense contratou Doly.

A diretoria alvinegra aguardou a disputa do próximo clássico para promover a estréia do jogador.

E no dia do clássico, o campo da Liga estava lotado, com os torcedores alvinegros indo prestigiar o seu novo contratado e a torcida avaiana apostando na superioridade de Adolfinho.

O jogo já estava no 2º tempo o placar ainda era 0 x 0, quando a torcida começou a notar que o goleiro Doly fazia estranhos movimentos, com as 2 mãos segurando a barriga e com as coxas apertadas entre si, caminhando sob a trave com dificuldade.

O goleiro então correu em direção ao árbitro, cochichou em seu ouvido e correu para o banheiro, levando uma folha de jornal que voava com o vento em pleno gramado.

Com a partida paralisada por 15 minutos, o atleta retornou ao seu gol e o clássico foi reiniciado, recebendo na sua volta uma calorosa recepção da torcida avaiana:

“cagão…, cagão…, cagão…”


Na excursão do Avaí por países da América do Sul e Central, os jogadores evitavam se complicar na hora do almoço e pediam o trivial: arroz, bife e batatas fritas.

Em Montevidéu, o garçom perguntou ao goleiro Rubão : “Que prato o senhor prefere?” e Rubão na hora: “prato fundo”.


A máquina colorada com Manga, Figueroa, Marinho Peres, Caçapava, Batista, Valdomiro, Dario entre outros, que se tornaria Bi-campeã Brasileira, veio jogar com o Avai em 1976 e Dario Maravilha, o Rei Dadá, estava barbarizando no campeonato, fazendo gols em quase todos os jogos.

Maneca, zagueirão do avai,passou a semana inteira falando que ia parar o artilheiro. No dia do jogo, diante de quase 20.000 pessoas presentes no Orlando Scarpelli, Inter 4 x 0, com 3 gols do Dadá.

O repórter então perguntou: “E aí Manecão, o que aconteceu?”

Manecão: “Não deu para marcá-lo, mas ele é um cara muito educado. Cada gol que fazia pedia desculpas.”

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